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Ritos e Tradições
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Ritos e Tradições

Jogos e brincadeiras
Antiga Roma: ainda antes da associação entre o mártir São Valentim e os enamorados, já os romanos, durante a Lupercalia, sorteavam os nomes dos enamorados;
Ilhas Britânicas na altura dos Celtas: as crianças vestiam-se de adultos no dia 14 de Fevereiro e cantavam de porta em porta, celebrando o amor; no actual País de Gales, gravavam-se colheres de madeira com corações, chaves e fechaduras, trocados como prendas pelos apaixonados, que significavam: "Só tu tens a chave do meu coração".
Idade Média, em França e na actual Inglaterra: São Valentim era um dos santos mais importantes: no dia 14 de Fevereiro, os jovens sorteavam os nomes dos seus pares, e os papéis com os nomes eram cosidos nas mangas durante uma semana; usar um coração na manga da camisola era sinónimo de que a pessoa estava apaixonada.
Ao longo dos tempos, as tradições de São Valentim foram adquirindo um grau de complexidade cada vez maior, com novas e rebuscadas tradições, lendas e brincadeiras sendo criadas a cada ano que passava: os pássaros, por exemplo, passaram a ter um significado muito próprio, pelo que o facto de avistar um ou outro pássaro poderia ser determinante na vida sentimental da pessoa: ver um "pintarroxo" era sinal de que a mulher casaria com um marinheiro, ver um pardal era sinal de que casaria com um pobre mas seria feliz, uma andorinha, um bom homem e, imagine-se, se a mulher avistasse um pica-pau no dia de São Valentim, era sinal de que ficaria solteira! Este tipo de jogos tiveram especial ênfase durante o período vitoriano.

As Mensagens de São Valentim 
A tradicional troca de cartões, cartas e bilhetes apaixonados no dia de São Valentim teria tido origem na própria lenda de São Valentim, que teria deixado um bilhete à filha do seu carcereiro. Como vimos, porém, não há quaisquer certezas quanto à veracidade desta história.
Sabemos, no entanto que, no século XV, Charles, o jovem duque de Orleães, seria um dos primeiros a utilizar o conceito dos cartões de São Valentim, pois enquanto esteve aprisionado na Tower of London, após a batalha de Agincourt em 1415, terá enviado, por altura do São Valentim, vários poemas e bilhetes de amor à sua mulher, que estava em França. Também do século XV nos chegou um cartão/bilhete de São Valentim, com a imagem de um Cavaleiro e de uma Dama, acompanhados de um cupido que empunhava arco e flecha.
Durante todo o século XVII sabe-se que era costume os enamorados escreverem pequenos cartões com poemas originais ou copiados, que enviavam às pessoas por quem estavam apaixonados. A partir de 1723, nos actuais EUA as mensagens de São Valentim começaram a ser usadas, à semelhança do que já acontecia na metrópole (Inglaterra). Mas foi a partir de 1840, na Inglaterra vitoriana, que as mensagem de São Valentim passaram a ser estandardizadas, sendo os cartões decorados com fitas de tecido e papel especial, com a utilização das frases e poemas que ainda hoje são usados: "would you be my Valentine", "love form your Valentine", "I fondly, truly love thee", "love protects", etc.
Nos dias de hoje, é entre os mais novos que as mensagens de São Valentim são mais populares, sendo que, em muitas escolas, mesmo nas portuguesas, existe um autêntico correio de São Valentim.

São Valentim nos dias de hoje: quem ganha é o comércio
No século XX assistimos à gradual transição do São Valentim de um dia profundamente sentimental e transcendente, para um dia onde o comércio é rei: apercebendo-se da oportunidade de negócio que este dia representava, pelo facto de existirem sempre casais apaixonados, os comerciantes começaram a fabricar cartões em escala, e a transformarem o conceito da troca de prendas entre namorados no São Valentim em regra, quando, numa primeira fase, esta não era mais do que uma excepção. 
Existe, pois, um enorme paradoxo relativamente ao dia de São Valentim: a sua importância e o seu impacto são, nos dias de hoje, muito maiores do que alguma vez foram. Porém, a carga emocional e os valores espirituais que antigamente o dominavam, estão hoje subordinados à vertente materialista que lhe foi imposta pela nossa sociedade de consumo. 

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